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Infraestrutura de TI

Revisão objetiva de Redes de Computadores, Virtualização, Computação em Nuvem e Segurança — os pilares que sustentam qualquer infraestrutura moderna.

6 tópicos Base: conteúdo da disciplina de Infraestrutura de TI 20 questões no simulado
01 Aplicação 02 Transporte 03 Rede 04 Enlace 05 Física
Tópico 1

Redes: Camadas e Protocolos

Modelo de 5 camadas e suas PDUs

Cada camada do modelo de Internet embrulha os dados em uma unidade própria (PDU — Protocol Data Unit) ao descer rumo à camada Física:

CamadaPDUPapel / Equipamento típico
AplicaçãoMensagemProtocolos como HTTP, DNS, FTP, SMTP — interface direta com o usuário/software
TransporteSegmento (TCP) / Datagrama (UDP)Entrega fim-a-fim entre processos, via portas lógicas, no host (ex.: computador)
RedePacoteRoteamento lógico via IP, feito pelo Roteador
EnlaceQuadro (Frame)Endereçamento físico (MAC), feito pelo Switch
FísicaBitConversão de bits em sinais elétricos/ópticos/rádio, nos cabos e meios de transmissão

TCP × UDP

ProtocoloConexãoConfiabilidadeUso típico
TCPOrientado a conexão (3-way handshake)Confiável — confirma entrega (ACK) e ordem dos segmentosWeb, e-mail, transferência de arquivos
UDPSem conexãoNão confiável — sem garantias de entrega/ordem, porém menor overheadVoIP, streaming, DNS — tempo real

DNS usa UDP na porta 53 para consultas rápidas; HTTP/HTTPS (camada de Aplicação) roda sobre TCP para garantir que a página chegue completa e na ordem certa.

A Web (WWW) e o HTTP

A World Wide Web foi criada por Tim Berners-Lee como um serviço de hipertexto sobre a Internet. Ela é construída sobre o protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol), responsável por transferir páginas e documentos entre servidores e navegadores — é esse protocolo, e não a Web em si, que roda formalmente na camada de Aplicação.

Client-server × Peer-to-peer

Aplicações de rede seguem, em geral, duas arquiteturas de comunicação:

ArquiteturaComo funcionaExemplos
Client-serverUm servidor central concentra o recurso/serviço e atende múltiplos clientes que fazem requisiçõesWeb, e-mail, transferência de arquivos (FTP)
Peer-to-peer (P2P)Não há um servidor central fixo: cada terminal (peer) atua simultaneamente como cliente e provedor de dados para os demaisBitTorrent, alguns sistemas de mensagens instantâneas

Também é em L4 (Transporte) que reside a distinção conceitual entre "quem fala com quem": o host final (computador do usuário) é o equipamento que efetivamente abre e mantém as portas/sessões de camada 4 — diferente de switches (L2) e roteadores (L3), que apenas encaminham o tráfego sem abrir sessões de aplicação.

Tópico 2

Redes: IP e Roteamento

Endereçamento IPv4

Um endereço IPv4 é formado por 32 bits, organizados em 4 octetos decimais (ex.: 192.168.0.1). Por conta do esgotamento desse espaço de endereçamento, o IPv6 (128 bits) vem sendo adotado gradualmente.

Faixas especiais de IP (o que NÃO é roteável na internet pública)

FaixaUso
10.0.0.0 – 10.255.255.255Privada (RFC 1918)
172.16.0.0 – 172.31.255.255Privada (RFC 1918) — ex.: 172.16.0.1
192.168.0.0 – 192.168.255.255Privada (RFC 1918)
127.0.0.0/8Loopback — o próprio host (ex.: 127.0.0.1)
169.254.0.0/16Link-local — atribuído automaticamente quando não há DHCP disponível

Endereços fora dessas faixas (ex.: 8.8.8.8, 200.23.16.5) são IPs públicos, roteáveis livremente na internet.

DHCP

Quando um host entra em uma rede sem configuração prévia, ele envia uma mensagem em Broadcast solicitando parâmetros de rede. O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é o serviço que responde a essa solicitação, atribuindo dinamicamente IP, máscara, gateway e DNS ao cliente, evitando configuração manual em cada máquina.

ARP (Address Resolution Protocol)

Antes de enviar um quadro dentro da rede local, um host só conhece o IP de destino. O ARP resolve esse problema enviando uma pergunta em broadcast ("quem tem este IP?") para descobrir o MAC correspondente, guardando o resultado em cache — é o elo entre a camada de Rede (endereço lógico) e a de Enlace (endereço físico).

NAT (Network Address Translation)

Técnica que permite que múltiplos hosts de uma rede privada compartilhem um único IP público ao acessar a internet — o roteador de borda "traduz" os endereços privados para o IP público na saída, e vice-versa na volta. Isso poupa o estoque limitado de IPv4.

TTL e ICMP

O campo TTL (Time to Live) de um pacote IP é decrementado a cada roteador (salto) percorrido. Quando chega a zero, o pacote é descartado e o roteador envia uma mensagem ICMP "Time Exceeded" de volta à origem — mecanismo que evita que um pacote fique circulando indefinidamente pela rede em caso de loop de roteamento.

ICMP na prática: ping e traceroute

Além de gerar mensagens de erro (como o "Time Exceeded" do TTL), o ICMP é o protocolo usado diretamente pelos comandos ping e traceroute/tracert: o ping envia mensagens Echo Request e aguarda o Echo Reply para medir conectividade e latência; o traceroute usa TTLs crescentes justamente para forçar respostas ICMP de cada roteador no caminho até o destino.

Sistemas Autônomos (AS) e roteamento de borda: BGP × OSPF

Um Sistema Autônomo (AS) é um conjunto de redes sob uma única administração — por exemplo, toda a malha de uma grande operadora nacional de telecomunicações. A comunicação de rotas entre Sistemas Autônomos distintos (ou seja, entre grandes redes/provedores, incluindo a própria Internet) é feita pelo BGP (Border Gateway Protocol), um protocolo de roteamento de borda (Exterior Gateway Protocol). O BGP também pode ser usado internamente (iBGP) em redes corporativas muito grandes.

Já o roteamento dentro de uma rede/AS costuma usar protocolos internos como o OSPF (Open Shortest Path First), do tipo estado de enlace (link-state), que calcula o caminho mais curto entre os roteadores usando o algoritmo de Dijkstra sobre um mapa completo da topologia da rede.

Tópico 3

Redes: VLANs e Switching

Switch

Opera na camada de Enlace. Aprende os endereços MAC das estações conectadas em uma tabela interna e encaminha cada quadro de forma isolada (unicast) apenas para a porta de destino correta — diferente de um Hub, que replicaria o sinal para todas as portas.

VLAN (Virtual LAN)

Permite segmentar logicamente o tráfego de uma mesma infraestrutura física em domínios de broadcast separados (ex.: VLAN do RH isolada da VLAN de Vendas), melhorando segurança e desempenho sem precisar de cabeamento físico separado para cada setor.

802.1Q (Trunking)

Norma IEEE que adiciona uma marcação (tag) de 4 bytes ao cabeçalho do quadro Ethernet, identificando a qual VLAN aquele quadro pertence ao trafegar por uma porta tronco (trunk) entre switches — assim um único cabo físico consegue carregar o tráfego de várias VLANs diferentes.

Roteamento entre VLANs (Inter-VLAN Routing)

Cada VLAN forma um domínio de broadcast isolado, equivalente a uma sub-rede IP diferente — por isso, dois hosts em VLANs distintas (ex.: VLAN Vendas e VLAN RH) não conseguem se comunicar apenas via Switch (camada 2). É necessário um Roteador ou um Switch Layer 3 para intermediar essa comunicação através de roteamento IP real entre as VLANs.

Tópico 4

Virtualização

Hypervisor

É a camada de software ("Monitor de Máquina Virtual") que abstrai os recursos físicos do host, permitindo criar, isolar e executar em paralelo múltiplos Sistemas Operacionais convidados (VMs) sobre o mesmo hardware.

TipoOnde rodaExemplo
Tipo 1 (Bare-Metal)Diretamente sobre o hardware físico, sem SO intermediárioVMware ESXi, Hyper-V Server
Tipo 2 (Hosted)Sobre um Sistema Operacional hospedeiro já instaladoVirtualBox, VMware Workstation

Máquinas Virtuais × Containers

Uma VM depende de um Hypervisor e executa um Sistema Operacional convidado completo e independente — mais pesada, porém com isolamento total. Um Container (ex.: Docker) virtualiza a nível de Sistema Operacional, compartilhando o Kernel do host e isolando apenas as dependências e a aplicação — por isso é muito mais leve e inicia em frações de segundo.

Como o Docker isola containers: namespaces e cgroups

O Docker não usa um Hypervisor tradicional — ele se apoia em dois recursos nativos do Kernel Linux: Namespaces, que isolam o que cada container "enxerga" (processos, rede, sistema de arquivos), e cgroups (Control Groups), que limitam e controlam quanto de CPU, memória e disco cada container pode consumir do host.

Live Migration

Em data centers virtualizados, a Live Migration (ex.: vMotion na VMware) permite mover uma VM em execução de um servidor físico para outro sem interrupção perceptível do serviço: o estado de memória é transferido em segundo plano e a troca de hipervisor acontece de forma transparente para quem está usando a VM — útil para manutenções e balanceamento de carga entre hosts.

Tópico 5

Computação em Nuvem

Modelos de serviço

ModeloO que o cliente gerenciaExemplo
IaaS (Infraestrutura)Sistema Operacional, middleware, dados e aplicações — o provedor cuida só do hardware físico virtualizadoAmazon EC2, Azure VMs
PaaS (Plataforma)Apenas a aplicação e os dados — o provedor cuida do SO e do ambiente de execuçãoGoogle App Engine, Heroku
SaaS (Software)Apenas o uso — tudo é gerenciado pelo provedor e entregue prontoMicrosoft 365, Gmail

Modelos de implantação, elasticidade e HA

Nuvem pública compartilha recursos entre clientes (AWS, Azure); privada é dedicada a uma única organização; híbrida interliga a infraestrutura local (on-premise) com a escala da nuvem pública, geralmente via VPN. A elasticidade permite aumentar ou reduzir recursos automaticamente conforme a demanda, e a Alta Disponibilidade (HA) usa múltiplas Zonas de Disponibilidade (datacenters fisicamente separados) para manter o sistema operacional mesmo em caso de falha física.

Tópico 6

Segurança e VPN

Firewall stateful

Monitora o tráfego nas camadas de Rede e Transporte (L3/L4), mantendo em memória o estado das conexões já iniciadas — assim, o tráfego de retorno de uma sessão legítima passa livre, sem exigir regras manuais abrindo portas de fora para dentro da rede.

VPN site-to-site

Estabelece um túnel criptografado (ex.: IPSec) pela internet entre roteadores de duas pontas distintas, permitindo que escritórios geograficamente distantes se comuniquem como se estivessem na mesma rede local (LAN).

TLS/SSL

O TLS (Transport Layer Security), sucessor do SSL, é o protocolo por trás do HTTPS. Ele garante confidencialidade (criptografando os dados trocados entre cliente e servidor) e integridade (garantindo que os dados não foram alterados no caminho), além de autenticar o servidor por meio de certificados digitais — protegendo, por exemplo, senhas e dados de cartão de crédito contra interceptação.

DoS / DDoS

Ataques cujo objetivo principal não é roubar dados, mas sim sobrecarregar um servidor, recurso ou link de rede com tráfego massivo, tornando o serviço indisponível para usuários legítimos — no caso do DDoS (Distributed), o tráfego vem de múltiplas origens simultâneas, geralmente uma botnet.

Simulado

Teste seus conhecimentos

20 questões de múltipla escolha, uma alternativa correta cada, distribuídas pelos 6 tópicos acima.

Pronto para começar? Você pode revisar a justificativa de cada questão antes de avançar para a próxima.

Fontes

Este resumo foi elaborado a partir do conteúdo teórico da disciplina de Infraestrutura de TI, organizado nos seis tópicos abaixo.

Resumo escrito para fins de estudo e revisão, a partir do material da disciplina de Infraestrutura de TI — ADS Senac.